ÚRSULA GARCIA, PRIMEIRA J0RNALISTA DO RIO GRANDE DO NORTE

quinta-feira, 26 de março de 2026

ÚRSULA DA COSTA BARROS DE AMORIM GARCIA

 


ÚRSULA DA COSTA BARROS DE AMORIM GARCIA, Úrsula Garcia, nasce em 03 de março de 1865,em Aracati, Estado do Rio Grande do Norte, cujo município faz divisa com o de Mossoró-RN, sendo filha de FRANCISCO AMINTAS DA COSTA BARROS, juiz e político, o qual também foi presidente da Província do Rio Grande do Norte, no período de 10 agosto 1886 a 14 de outubro de 1888 e 15 de  de junho de 1889 a 18 de junho de 1889 e RITA  GARCIA  DA  COSTA  BARROS. É  possível  recuperar  seus  dados  biográficos tanto  na  sua obra  poética  e  em  prosa,  uma  fonte  documental  importante,  espalhada  pelos  jornais  e revistas  com  os  quais  colaborou;  quanto,  em  notas,  notícias  e  artigos  que  saíram  na imprensa sobre ela.

Também é possível alcançar a sua trajetória de vida a partidos dados biográficos do  seu  pai  e  do  seu  marido,  pois  no  século  XIX,  na  condição  de  filha,  as  mulheres acompanham  os  pais;  e  na  condição  de  esposa,  o  marido.

 O  pai  de  ÚRSULA GARCIA, FRANCISCO AMINTAS DA COSTA BARROS, nascido em Aracati, Estado do Ceará, no dia  21 de novembro de 1841,e bacharel em Direito pela Faculdade do Recife, em 1863, exerceu a magistratura no Ceará e Alagoas e,em Alagoas,t ambém foi chefe de polícia  vinda da família para o Rio Grande do Norte começa por São José do Mipibu-RN, em 1868, quando AMINTAS BARROS ocupa o cargo de promotor público e, no ano seguinte, é procurador fiscal da Tesouraria Provincial, de 1869 até 1871. Em 1873, está em Natal, nomeado  juiz  municipal;  em  1875  até  1885  é  juiz  na  comarca  de  Pau  dos  Ferros.  Em 1887, acredita-se que já esteja em Natal, pois era o 1º vice-presidente da província do Rio

 

Veio à República em 1889e Amintas Barros permaneceu instalado em Natal na função de Secretário de Justiça do primeiro governo republicano no Rio Grande do Norte e foi presidente do Estado entre 2 de março e13 de junho de 1891. Amintas Barros, que faleceria  em  Natal  em  22  de  fevereiro  de  1899,  era,  portanto,uma  figura  de  destaque, com atuação e carreira no judiciário e na política, ocupando diversos cargos públicos e, por sua condição de letrado e ocupante de cargos públicos, acredita-se que teve condições de prover a Úrsula o acesso à educação formal

 

Sobre  a  formação  educacional de  ÚRSULA  GARCIA nada  sabemos,  se  frequentou escola ou foi alfabetizada em casa. Mas é certo que houve um incentivo, sobretudo, do pai, em um tempo que a educação feminina era vista como uma educação para o lar e para a família. Úrsula Garcia, ao que parece, o tinha por um exemplo, pois, em um dos seus poemas, “Os olhos que eu amei”, registra: “Quando eu entrei na vida, era meu guia/ O olhar sereno e firme de meu pai;/Quando esse olhar suave sorria/ Eu era tão feliz! Pois traduzia/ –Prossegue! Amo-te muito! Filha, vai!”

 

A  oportunidade,  rara,  de  ter  acesso à educação  formal  e  à  leitura,  e  o possível incentivo  para  desenvolver  os  seus  pendores  literários, fez  de  Úrsula  Garcia  uma participante na vida ativa dos círculos sociais da cidade do Natal, onde residiu.É o que comenta Cascudo:

ÚRSULA  BARROS  era  uma  das  moças  mais  admiradas  da cidade.  Fazia versos   líricos,   recitava-os   ao   som   langue   da   Da lida,   nas   festas familiares, cantava modinhas sentimentais. Era magrinha, ágil, morena clara, cintura de abelha, uma face pensativa iluminada por dois grandes olhos  cismarentos.  Vivia  entre  as  prateleiras  do  escritório  paterno, secretaria  do  magistrado,  sempre  lendo.  Diziam-na  excepcionalmente culta, preparada, como se usava explicar(CASCUDO, 1977, p. 81).

 

Esta primeira temporada de Úrsula Garcia em Natal durou até o casamento. Ela seca sana Igreja Bom Jesus das Dores, em 05 de dezembro de 1887, com José Alexandre de Amorim Garcia, seu primo, e naquele mesmo ano deixa a cidade. Quando casaram,

JOSÉ ALEXANDRE era promotor público de Natal, mas devido ao seu sogro, o pai de Úrsula, ser  Juiz  de  Direito  de  Natal, por  incompatibilidade  em  razão  do  parentesco, JOSÉALEXANDRE foi transferido para Nova Cruz-RN.

 

Úrsula Garcia segue acompanhando o marido que, promotor público em Natal, é transferido   para   Nova   Cruz   (1887-1889);depois,   em   1889,Juiz   Municipal   de Canguaretama-RN ;e, em setembro de 1890, Juiz de Direito de Santana do Matos-RN.

No entanto o  casamento  foi  breve,  pois  ele  faleceu  em  09  de  maio  de  1891. A  causa  da  morte supostamente Foi varíola, a mesma que acometeria, História do jornalismo no Rio Grande do Norte :Úrsula Garcia, a primeira jornalista

 

Úrsula quatorze anos depois. O casal não teve filhos. Segundo A.A,e m Notas,no jornal Diário de Pernambuco, edição de1 de agosto de 1905, a “maviosa poetiza”:

 

(...) esposa de um magistrado, o dr. JOSÉ ALEXANDRE DE AMORIM GARCIA, que bem cedo deixou-a envolta no manto negro da viuvez, ela conhecia, estou   informado   hoje,   os   segredos   dos   códigos   e   das   leis   e compartilhava com o marido o estudo dos autos e aplicação do direito.


Úrsula Garcia faleceu em 26 de julho de 1905, no Recife, aos 41 anos de idade, vítima de varíola hemorrágica. O Diário de Pernambuco, datado de 27 de julho de 1905, sob o título de Desaparecidos, noticia a morte de Úrsula Garcia: “O enterro efetuou-se às 11 horas da manhã, saindo o féretro da casa à Rua da Glória, n.82, onde se deu o traspasse que veio causar manifestações de geral sentimento”.

 

Consta em A Província, edição de 27 de julho de 1905, que foi sepultada às 11 horas  da  manhã  no cemitério  de  Santo  Amaro. Informa  Cascudo que"Úrsula  Garcia pedira que seus ossos fossem transladados para Natal, onde o marido fora sepultado”(CASCUDO, 1977, p. 81).

 

FONTE :PERIODICOS.UFPB.BR

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